quarta-feira, 3 de agosto de 2011

UnB

Justiça garante matrícula de 23 estudantes com menos de 18 anos na UnB

Thaís Paranhos
Publicação: 03/08/2011 08:00 Atualização:

Pelo menos 23 estudantes com idade inferior a 18 anos garantiram ontem na Justiça o direito de entrar na Universidade de Brasília (UnB). Por meio de mandado de segurança, eles fizeram as provas no Centro de Ensino Tecnológico de Brasília (Ceteb), concluíram o ensino médio e puderam fazer o registro na instituição. A Associação dos Candidatos Aprovados na UnB por Força de Liminares também ingressou com uma ação na Justiça Federal para estender até 15 de agosto o prazo de matrícula. A UnB divulgou na última segunda-feira a lista com o nome de 653 aprovados em segunda chamada do 2º vestibular de 2011.

De acordo com a decana de Graduação da UnB, Márcia Abrahão, há 45 processos judiciais contra a instituição e 267 contra as escolas para garantir a vaga dos aprovados sem ensino médio. “Nós estamos cumprindo as decisões judiciais e vamos continuar enquanto estiverem valendo, mas estamos recorrendo”, disse. Para ela, o jovem não deve pular etapas fundamentais da formação. “Sem contar que, assim, desrespeitamos a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Nacional). O ensino médio não é pré-vestibular, é uma etapa.”

A diretora pedagógica do Ceteb, Marina Gomes de Moura, informou que a instituição realizou as matrículas dos estudantes devido aos mandados de segurança. “Um aluno do Ceteb leva em média seis meses para concluir o equivalente a uma série, mas, quando eles recorrem à Justiça, temos que cumprir o prazo determinado pelo juiz. Graças ao nosso sistema, conseguimos liberar rápido os resultados.”

A duas semanas de completar 18 anos, o estudante José Cláudio Soares Passos, 17 anos, morador de Ceilândia, teve de adiar o sonho de entrar na UnB. O estudante do 3º ano prestou vestibular no meio do ano para letras como teste e ficou surpreso quando viu o nome na lista dos aprovados em primeira chamada. “Gritei bastante de felicidade. Fui até a escola, tentei conversar, mas eles não me liberaram”, contou. José Cláudio procurou um advogado para tentar garantir a vaga no curso, mas a Justiça negou o pedido.

Proposta
O deputado federal Bala Rocha (PDT/AP) elaborou o Projeto de Lei n.º 6.834/2010 que facilitaria a vida dos alunos nessa situação. A proposta em tramitação na Câmara defende a entrada na universidade dos estudantes aprovados no vestibular que tenham terminado o 2º ano do ensino médio.

Edrysson Rocha, 16 anos, filho do deputado, passou na segunda chamada da UnB para o curso de engenharia mecatrônica. Como ainda não terminou o 3º ano, ele precisou de um mandado de segurança para fazer as provas no Ceteb. “Não imaginei que fosse passar por essa situação um dia. Estou muito aliviado que tudo tenha dado certo. E a lei é para exatamente diminuir essa correria das famílias e favorecer os estudantes esforçados e que têm capacidade intelectual para passar no vestibular”, desabafou Bala Rocha.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

DESAFIO: o emprego da vírgula

1. O PODER DA PONTUAÇÃO PARA DESFAZER CONFUSÕES: desfaça a confusão.

Levar uma pedra para a Europa uma andorinha não faz verão.



Um fazendeiro tinha um bezerro e a mãe do fazendeiro era também o pai do bezerro.





2. O SENTIDO MUDA COM O EMPREGO DA VÍRGULA: que diferença existe entre os pares?

Os jogadores, despreparados, abandonaram o campeonato.
Os jogadores despreparados abandonaram o campeonato.



Só, ela faz tudo.
Só ela faz tudo.



3. USO PROIBIDO: elimine as vírgulas proibidas, justificando o porquê do não uso:


a) Os delicados sentimentos de Madalena sempre, esbarraram em minha brutalidade.
b) A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood adiou para hoje à noite a cerimônia, de entrega do Oscar.

c) Nenhuma declaração, foi mais ofensiva ao povo desta terra que a feita ontem pelo presidente americano.

d) Com esse relógio sofisticado, sua mãe, lembra de você o tempo todo.

e) “Nossos jogadores, de futebol, na Espanha estão saudosos” (fragmento de anúncio de uma companhia aérea)



4. DESLOCAMENTO: desloque e pontue.

a) “Cientistas comprovam que grossura é provocada por um vírus depois de anos de estudo.” (Jô Soares.)

b) Tomaremos todas as providências recomendadas por nossos advogados quando voltarmos da viagem.



c) “Você pretende ser cigarra ou formiga quando o inverno chegar?” (fragmento de anúncio publicitário)



d) A guerra será longa e cruel, como o próprio presidente estadunidense afirmou.



5. INTERCALAÇÃO: intercale e pontue:
a) “Cientistas comprovam que grossura é provocada por um vírus depois de anos de estudo.” (Jô Soares.)

b) Tomaremos todas as providências recomendadas por nossos advogados quando voltarmos da viagem.



c) “Você pretende ser cigarra ou formiga quando o inverno chegar?” (fragmento de anúncio publicitário)



d) A guerra será longa e cruel, como o próprio presidente estadunidense afirmou.




6. OMISSÃO: indique pela vírgula a omissão da palavra.

a. As pessoas pensam duas vezes antes de comprar os telões Toshiba. Primeiro pensam em tecnologia. Depois em qualidade.
b. Por fora um PC. Por dentro a alta performance e a capacidade de um Dell.
c. Da mesma flor a abelha tira o mel, e a vespa o fel.


7. A VÍRGULA NAS FRASES FEITAS: empregue a vírgula nos ditados. Cuidado: nem todos os ditados usam a vírgula.

a. Gato saiu rato sobe à mesa
b. De mau corvo mau ovo.
c. Por causa de santo beija-se o altar.
d. Não sou bengala de cego que vai para onde se puxa.
e. Quem é vivo sempre aparece.
f. Mais vale a prática do que a gramática.
g. Quem não tem dinheiro beija santo.
h. Quando pardal tem fome vem abaixo e come.
i. Lagartixa sabe em que pau bate a cabeça.
j. Quem foi ao Pará parou. Bebeu açaí ficou.




8. Empregue as vírgulas de acordo com os critérios vistos.
Se a pontuação fosse como alguns imaginam operação secundária na construção de um período em sua leitura você não veria tão dificultada a compreensão deste trecho. Além do mais uma simples vírgula pode vir a separar idéias inseparáveis e a falta dela unir o que se deseja separar.


2. Em cada um dos parênteses abaixo, você poderá colocar um ponto, uma vírgula ou não colocar nada. Fique atento ao sentido do texto e às regras de pontuação para decidir por uma das opções.

Não sei se é verdade( ) mas circula um boato( ) nos meios da informática( ) de que está sendo preparado um novo vírus de computador( ) feito especialmente para interferir nos programas que escrevem os discursos do presidente( ) A característica mais fantástica desse vírus é que sua fluência( ) ao contrário dos outros( ) não aparece dentro da máquina( ) mas apenas quando ele é instalado no teleprompter( ) aparelho que permite às pessoas ler olhando diretamente para a televisão. (Jô Soares)

PONTUAÇÃO - A Vírgula

O emprego da vírgula proporciona alguma forma de realce e garante certos efeitos desejados pelo redator. A vírgula tem, também, uma função expressiva muito importante, que pode ser explorada com criatividade na produção textual. Basta apenas atentar para não exagerar e não a utilizar em situações proibidas.
O emprego adequado da vírgula costuma ser um dos pontos críticos do uso da norma culta. Isso se deve em parte porque se ensina que a vírgula tem a função de marcar uma pausa, para que o leitor possa respirar. A vírgula tem, na verdade, a função de marcar a organização dos enunciados. A pausa é conseqüência, na leitura, do emprego da vírgula, não sua causa.
Situações confusas podem ser geradas pelo mau emprego das vírgulas

Quem não tira férias nunca fica, além de cansado, menos produtivo.

Quer dizer que, para ficar descansado e mais produtivo, basta não tirar férias nunca?
Com certeza, não foi essa a informação que o redator desse enunciado quis passar para os usuários.
Uma vírgula pode eliminar a confusão:

Quem não tira férias nunca, fica, além de cansado, menos produtivo.

O emprego da vírgula deve considerar três elementos básicos na constituição da frase: sujeito (S), verbo (V) e objeto (O). Além deles, alguns enunciados apresentam adjuntos adverbiais, que estabelecem circunstâncias (C).

A ordem normal dos termos na frase é a seguinte:

sujeito + verbo + complemento verbal + circunstância (adjuntos adverbiais)


TV CNS retira jornalistas do Iraque.
Sujeito Verbo Complemento Adjunto Adverbial


Alterações nessa ordem podem ser obtidas:

 pela transposição de um elemento;
 pela troca de lugar entre dois elementos;
 pela supressão de um deles; ou
 pela intercalação de novos elementos.


CRITÉRIOS PARA O EMPREGO DA VÍRGULA

USO PROIBIDO

NÃO se separam elementos que mantêm entre si uma relação de dependência:

 entre o sujeito e o verbo
NÃO: O próximo verão, pede sandálias leves e baixíssimas.
SIM: O próximo verão pede sandálias leves e baixíssimas.

 entre o verbo e seu complemento
NÃO: O próximo verão pede, sandálias leves e baixíssimas.
SIM: O próximo verão pede sandálias leves e baixíssimas.

 entre o nome e seu complemento ou adjunto.
NÃO: O próximo, verão pede sandálias, leves e baixíssimas.
SIM: O próximo verão pede sandálias leves e baixíssimas.


I) Geralmente, marca-se por vírgula o DESLOCAMENTO e a INTERCALAÇÃO de elementos que alteram a ordem canônica da frase.

DESLOCAMENTO:

Após encontro com Lula, presidente do Bird afirmou que o banco emprestará US$ 10 bi ao novo governo.
Para obter uma bela cor, atenção ao que você come.

INTERCALAÇÃO: casos mais comuns

1. aposto:
O Kit Mosaico, da Jatobá, é feito sob medida para as adeptas do faça-você-mesma.

2. expressão de caráter explicativo, retificativo ou continuativo:
Polícia de Jerusalém afirma que suicida palestino provocou acidente, isto é, entrou no ônibus e detonou explosivos.

3. conjunção coordenativa:
Candidato aprova as mudanças. Acha, no entanto, a prova difícil.

4. adjunto adverbial:
Morre, aos 82 anos, o escultor Amílcar de Castro.
Foz do Iguaçu é, sem dúvida, um dos passeios mais procurados no país.

5. vocativo :
O backstreet boy lança o primeiro trabalho longe do grupo. Calma, meninas, ele não saiu do BSB.
LEMBRETE: ÊNFASE
 As expressões de chamamento da linguagem coloquial são marcadas por vírgula.
E aí, você gostou do jogo?

6. oração subordinada adjetiva explicativa:
Clarice Lispector, que é uma de nossas escritoras mais importantes, morreu há 25 anos.

7. oração intercalada:
Cristina Aguilera lança Stripped
A cantora americana está lançando, como ela mesma afirmou, seu disco mais pessoal.

II) Marca-se por vírgula a OMISSÃO de uma palavra (geralmente o verbo):
O dólar comercial fecha em queda e a bolsa, em alta.

III) Marca-se por vírgula a separação dos elementos de uma ENUMERAÇÃO:
Aqui tem Scooby para jogar: desenhos para colorir, papel de parede, clipes e tudo sobre os personagens.

IV) Marca-se por vírgula separação das ORAÇÕES COORDENADAS (exceto as iniciadas pela conjunção aditiva e):
Não se afobe, mas também não se atrase para a prova.

V) Usa-se vírgula antes da CONJUNÇÃO E quando:

1. os sujeitos das orações coordenadas forem diferentes
Dólar cai, e a Bolsa sobe.
2. a conjunção vier repetida enfaticamente
Cadastre-se. Você poderá receber o guia de compras por e-mail, e escolher as melhores ofertas, e enviar presentes a seus amigos, e fazer um enorme sucesso!

3. a conjunção assumir outros valores (adversidade, conclusão, conseqüência, etc.)
Seus pais não aceitam o namoro, e você continua insistindo.
Está cada vez mais difícil achar um cara legal, e você não desanima.

LEMBRETES:
 Não se esqueça de separar localidade e data:
São Paulo, 21 de abril de 2003.
 Não se esqueça de separar nome, rua e número de endereços:
José Colméia, Av. Rebouças, 1200, ap. 23.
 Não se esqueça de separar elementos paralelos de ditados:
Tal pai, tal filho.
Longe dos olhos, longe do coração.
 Não se esqueça de separar SIM e NÃO enfáticos:
Quero bananada, sim.
Não vou ficar, não.
 Não se esqueça de separar palavras repetidas:
Amigos, amigos, negócios à parte.

Conectores - Cespe

Prof.Nilo Mendes

1 - (CESPE-TRE/MG/2009) Até o esqueço. Vicentina disse que quando respondeu ao Soledade já haver perdoado a mãe, ele insistiu: não perdoou, não. Mas, se eu mesma não sei disso, como vou perdoar de novo, se acho que já perdoei, ela falou. “Entregue para sua alma, ela resolve para você”. Como ele
disse, aconteceu. Da última vez que visitei minha mãe, conversei com ela naturalmente, sem nenhum esforço, pela primeira vez em muitos anos.
a) ( ) No trecho “Como ele disse, aconteceu” (l.3-4), a conjunção “como” estabelece uma comparação entre o que foi dito e o que aconteceu.

2 - (CESPE –TRE- MG) “...Fiquei devendo à Vicentina Correias essa pérola. Foi o Soledade que me ensinou, ela disse. Engraçado, foi exatamente o que fiz, não por virtude, mas por fraqueza, quando parei de falar e pensar no dente. Ainda assim deu certo.
b) ( ) No trecho “mas por fraqueza” (l.3), a conjunção “mas”estabelece uma relação de causalidade com a oração que a antecede.

3 - (CESPE - PMDF) “Nossa inteligência não está em um espaço fechado chamado cérebro. Interagimos com o mundo e, utilizando nosso corpo e nosso ser, participamos da nossa cultura...”
( ) O trecho “utilizando nosso corpo e nosso ser” expressa ideia de finalidade.

4 - (CESPE - PMES) “ A boa nova é que a ciência está se movendo para tornar, de fato, a lipoaspiração um método tão invasivo quanto cortar cabelo...”
( ) A preposição “para” pode ser substituída por a fim de, sem que haja prejuízo sintático-semântico ao trecho.

5 - (CESPE - PMES) “Milhares de pessoas, no entanto, são induzidas a pensar que fazer uma lipoaspiração é tão simples quanto ir ao cabeleireiro...”
( ) No treco “Milhares de pessoas, no entanto, são induzidas a pensar (...) ao cabeleireiro” o conector “no entanto” poderia ser substituído pela expressão por conseguinte, sem prejuízo do sentido e da correção gramatical do período.

6 - (CESPE - MRE) Lévi Strauss havia defendido a tese de que o espaço urbano revela as estruturas lógicas latentes de um povo. Haveria, pois, uma razão inscrita no modo de dispor as casas de uma aldeia ou de uma cidade.
( ) No segundo período, o conector “pois” equivale a portanto.

7 - (CESPE - PCES) “ O aumento da cooperação com órgãos internacionais de salvaguarda se evidenciou no número de relatores especiais das Nações Unidas que realizaram visitas ao Brasil nos últimos anos.”
( ) Após a expressão “Nações Unidas”, há uma oração de natureza restritiva.

8 - (CESPE - PCES) “ Ao adotar, em 1996, o PNDH, o Brasil se tornou um dos primeiros países do mundo a cumprir recomendação específica da Conferência Mundial de Direitos Humanos (Viena, 1993), ao atribuir ineditamente aos direitos humanos o status de política pública governamental.”
( ) A substituição de “Ao adotar” por Quando adotou ou Por adotar mantém a correção gramatical do período.
( ) A substituição de “a cumprir” pela estrutura que cumpriu prejudicaria a correção gramatical do período.

9 - (CESPE - F R) “O professor é o gestor e o agente da mudança. E precisa ser reconhecido por sua missão fundamental na construção do país, com salários dignos e valorização profissional por mérito e competência.”
( ) Se a conjunção “E”(l.1) for substituída pela conjunção Portanto, prejudica-se a correção gramatical do período, mas mantém-se a informação original.

10 - (CESPE - CHESF) “ O ideal, segundo recomenda a pirâmide criada pelos médicos de Havard, é manter os alimentos integrais ou feitos a partir de grãos integrais (arroz, pães, massas) na base, ou seja, consumi-los com maior frequência, já que eles são digeridos mais lentamente, o que mantém o organismo saciado por mais tempo.”
( ) Em “já que eles são digeridos mais lentamente, o trecho sublinhado tem o mesmo sentido de embora eles sejam.

11 - ( CESPE - TCE) “Quando os cientistas políticos ensinam que, nas democracias modernas, poder trava poder, aludem a uma forma de pacto social ou controle tácito que permite a governabilidade”
( ) A primeira oração do trecho expressa circunstância de tempo.

12 - “Por muitas eras o lado místico e o científico conviveram sem conflitos na mente humana. Com o excedente econômico trazido pelo desenvolvimento tecnológico, as sociedades primitivas deram-se ao luxo de ter indivíduos dedicados a tarefas específicas. Mesmo depois disso, com as tarefas práticas entregues a certos indivíduos, enquanto outros se dedicavam a rituais e magia, a fé e a razão continuaram como campos complementares da experiência humana.” Veja, ano 42, n.º 6, 14/1/2009, p. 88 (com adaptações).
a) ( ) No trecho “enquanto outros se dedicavam a rituais e magia”, a substituição de “enquanto” por porquanto manteria a correção gramatical e o sentido original do texto.

13 - (CESPE – SGA/AC) “A sentença determina, entre outras medidas, que as penitenciárias somente acolham presos que residam em um raio de 200 km.Segundo o juiz, as medidas que tomou são previstas pela Lei de Execução Penal e objetivam acabar com a violação dos direitos humanos da população carcerária e “abrir o debate a respeito da regionalização dos presídios”. Ele alega que muitos presos das penitenciárias da região são de famílias pobres da Grande São Paulo, que não dispõem de condições financeiras para visitá-los semanalmente, o que prejudica o trabalho de reeducação e de ressocialização.” Sua sentença foi muito elogiada. Contudo, o governo estadual que irá recorrer ao Tribunal de Justiça, sob a alegação de que, se os estabelecimentos penais não puderem receber mais presos, os juízes das varas de execuções não poderão julgar réus acusados de crimes violentos, como homicídio, latrocínio, seqüestro ou estupro.
a) ( ) Na linha 8,o emprego da conjunção “Contudo” estabelece uma relação de causa e efeito entre as orações

14 - (CESPE – TRE/MG) “Até o esqueço. Vicentina disse que quando respondeu ao Soledade já haver perdoado a mãe, ele insistiu: não perdoou, não. Mas, se eu mesma não sei disso, como vou perdoar de novo, se acho que já perdoei, ela falou. “Entregue para sua alma, ela resolve para você”. Como ele disse, aconteceu. Da última vez que visitei minha mãe, conversei com ela naturalmente, sem nenhum esforço, pela primeira vez em muitos anos. Minha alma perdoou, resolveu o assunto.”
( ) No trecho “Como ele disse, aconteceu” (l.3), a conjunção “como” estabelece uma comparação entre o que foi dito e o que aconteceu.

15 - (CESPE - ANATEL) “Não posso pagar o aluguel da casa. Dr. Gouveia aperta-me com bilhetes de cobrança. Bilhetes inúteis, mas Dr. Gouveia não compreende isso. Há também o homem da luz, o Moisés das prestações, uma promissória de quinhentos mil-réis, já reformulada. E coisas piores, muito piores.”
( ) No trecho “mas Dr. Gouveia não compreende isso” (l.2), a conjunção “mas” estabelece uma relação de finalidade com a idéia que a antecede.

16 - (CESPE-IBAMA/2008) “Na época, Chico Mendes foi enquadrado na Lei de Segurança Nacional, acusado de “atentado contra a paz, a prosperidade e a harmonia entre as classes sociais”. Preso em diversas ocasiões, só foi definitivamente absolvido em 1.º de março de 1984, quatro anos depois, portanto, de iniciadas as perseguições. De acordo com a conselheira Sueli Bellato, embora o relatório não tenha se aprofundado na questão, foi possível constatar que Chico Mendes também foi torturado enquanto estava sob custódia de policiais federais.
( ) Os termos “portanto” (l.4) e “enquanto” (l.5), estabelecem idênticas relações de sentido.

17 - (CESPE – SERPRO/2008) “O autor de Ensaio sobre a Cegueira e O Evangelho Segundo Jesus Cristo decidiu criar “um espaço para comentários, reflexões, simples opiniões sobre isto ou aquilo, o que vier a talhe de foice”. Se antes os blogueiros tomaram as estantes e livrarias, em uma invasão organizada dos posts para as páginas, os escritores descobriram que estavam perdendo espaço e procuraram recuperar o tempo perdido. Sucedendo o movimento da rede aos livros, a trajetória agora é dos livros para a rede.”
( ) O desenvolvimento das idéias do texto mostra que, se a condição expressa pela oração iniciada por “Se” (l.38) não se tivesse realizado, os escritores não procurariam “recuperar o tempo perdido” (l.4).

18 - (CESPE – SERPRO/2008) “Cercadas de aparelhos eletrônicos que dominam desde cedo, as crianças da era dos estímulos constantes e simultâneos são capazes de executar três, quatro, cinco atividades ao mesmo tempo — e prestar pelo menos alguma atenção a todas elas. São crianças multitarefa e encaram isso com total naturalidade.”
( ) A organização dos argumentos mostra que o conectivo “e” em “e encaram” (l.4) tem o valor de mas e por essa conjunção poderia ser substituído, sem prejuízo da coerência ou da correção do texto.

19 - (CESPE-MMA/ALFA-2008) “Por ironia, as notícias mais freqüentes produzidas pelas pesquisas científicas relatam não a descoberta de novos seres ou fronteiras marinhas, mas a alarmante escalada das agressões impingidas aos oceanos pela ação humana.”
( ) O termo “mas” (l.2) corresponde a qualquer um dos seguintes: todavia, entretanto, no entanto, conquanto.

20 - (CESPE – TRT 17.ª Região/ES/2009)” A responsabilidade social agrega valor à marca, fortalece os vínculos comerciais e sociais da empresa, gera valor e longevidade aos negócios, além de ser fator de motivação para os empregados. Ao exercer a responsabilidade social, a empresa coloca todos os seus produtos, serviços e recursos financeiros a serviço da comunidade.”
( ) O trecho “Ao exercer a responsabilidade social” expressa a causa do fato apresentado na oração subsequente.

21 - (CESPE-SEPLAG-Professor-2008) ”Este é o momento adequado do resgate do professor como sujeito histórico de transformação, porque se está atravessando uma conjuntura paradoxal: nunca se precisou e pediu tanto do professor e nunca se deu tão pouco a ele, do ponto de vista tanto da formação quanto da remuneração e das condições de trabalho.”
( ) A combinação “tanto (...) quanto” pode ser substituída pela combinação não só (...) mas também, mantendo-se a idéia de adição de informações.

22 - (CESPE-SEPLAG-Professor-2008) ”Este é o momento adequado do resgate do professor como sujeito histórico de transformação, porque se está atravessando uma conjuntura paradoxal: nunca se precisou e pediu tanto do professor e nunca se deu tão pouco a ele, do ponto de vista tanto da formação quanto da remuneração e das condições de trabalho. Todavia, há uma série de sugestões ao profissional do magistério, para que mantenha uma conduta pedagógica transformadora, entre as quais se encontram as abaixo listadas:”
( ) Na linha 5, com o emprego do conector “Todavia”, o autor antecipa que fará uma concessão ao professor, ou seja,apresentará alternativas para a superação do que foi explanado anteriormente.

23 - (CESPE-TCE/TO)”Há meio século, os escravos fugiam com frequência. Eram muitos, e nem todos gostavam da escravidão. Sucedia ocasionalmente apanharem pancada, e nem todos gostavam de apanhar pancada. Grande parte era apenas repreendida; havia alguém de casa que servia de padrinho, e o mesmo dono não era mau; além disso, o sentimento da propriedade moderava a ação, porque dinheiro também dói. A fuga repetia-se, entretanto. Casos houve, ainda que raros, em que o escravo de contrabando, apenas comprado no Valongo, deitava a correr, sem conhecer as ruas da cidade. Dos que seguiam para casa, não raro, apenas ladinos,pediam ao senhor que lhes marcasse aluguel, e iam ganhá-lo fora, quitandando.
( ) Na frase “A fuga repetia-se, entretanto.”, manteria a correção gramatical e o sentido original do texto a substituição de “entretanto” por porquanto.

(adaptação) Marque o item correto:
24 - (CESPE-PETROBRÁS) ”O certificado, que foi conquistado pela Unidade de Negócio da Bacia de Campos, atesta o compromisso da PETROBRAS com o desenvolvimento sustentável e sua capacidade de se comunicar adequadamente com seus funcionários, fornecedores, com o poder público e a comunidade. Para ser acreditada, a unidade foi avaliada por meio de uma série de auditorias, desde outubro do ano passado.”
O trecho “Para ser acreditada” estabelece com o restante do período uma relação de:
A tempo.
B causa.
C finalidade.
D comparação.
E conclusão.

25 - (CESPE-MC/2008) “Atualmente, o correio eletrônico — ou e-mail — é o meio de maior adesão utilizado pelos jovens estudantes. Todavia, como não é universal, e ainda está inacessível para muitos, esse canal ocasiona a possível perda do acesso a informações importantes.”
( ) O emprego de “Todavia” (l.2) antecipa que a informação seguinte tem sentido contrário ao da anteriormente formulada.

26 - (CESPE-SGA/2008) “Falara com voz sincera, exaltando a beleza da paisagem e revelando que, se dependesse só dele, passaria o resto da vida ali, morreria na varanda, abraçado à visão do rio e da floresta. Era isso o que mais queria, se Alícia estivesse ao seu lado.”
( ) As orações “se dependesse só dele” e “se Alicia estivesse ao seu lado”estabelecem circunstância de condição em relação às orações às quais se subordinam.

27 - (CESPE-SGA/2008) “Não parecia estar no iate, e sim em sua casa, em Manaus: sentado, pernas e pés juntos, tronco ereto, a cabeça oscilando, como se fizesse um não em câmera lenta.”
( ) A oração “como se fizesse um não em câmera lenta” expressa uma comparação estabelecida pelo narrador.

28 - (CESPE-MS/2008) “De acordo com a diretora-geral da OPAS, a estratégia diferenciada adotada pelo Brasil deve servir como modelo para diversas nações do mundo que ainda não fizeram campanha contra rubéola voltada para adolescentes e adultos, tais como a Rússia, a Índia e a China.”
( ) No trecho “que ainda não fizeram campanha”, o conectivo “que” não está antecedido por vírgula porque introduz oração subordinada adjetiva restritiva.

29 = ( CESPE-TEC.AGR./2009-M) Para o Conselho de Recursos Aéreos da Califórnia, encarregado de propor a nova regra, o álcool combustível produzido a partir da cana-de-açúcar diminui em 72% as emissões de gases que agravam o efeito estufa.
( ) O segmento “que agravam o efeito estufa” (R.8-9) constitui oração subordinada adjetiva restritiva.

30 - (CESPE – TRE/MA/2009-S) Isso quer dizer, com todas as letras, que estágio não é emprego. É o ponto de partida para qualquer discussão sobre o tema.
( ) A oração “que estágio não é emprego” (R.10-11) completa o sentido do verbo “dizer” (R.10).

31 - (Cespe/Ag.Pol.Fed./2009-s) “A visão do sujeito indivíduo — indivisível — pressupõe um caráter singular, único, racional e pensante em cada um de nós. Mas não há como pensar que existimos previamente a nossas relações sociais: nós nos fazemos em teias e tensões relacionais que conformarão nossas capacidades, de acordo com a sociedade em que vivemos.”
( ) Ao ligar dois períodos sintáticos, o conectivo “Mas” (R.3) introduz a oposição entre a ideia de um sujeito único e indivisível e a ideia de um sujeito moldado por teias de relações sociais.

32 - (CESPE/UERNE/T.A/2010-M) É uma política questionada nas negociações multilaterais, não apenas pelo lado filosófico, conceitual, mas porque há casos específicos que ferem claramente as regras vigentes e acordadas na Organização Mundial do Comércio, cuja existência, importantíssima para o fortalecimento do comércio internacional, se deve muito aos EUA.O Globo, 10/3/2010, (com adaptações).
O segmento “cuja existência” (R.24-25) refere-se ao antecedente
(A) “política questionada” (R.21).
(B) “negociações multilaterais” (R.21).
(C) ”lado filosófico” (R.22).
(D) “casos específicos” (R.22-23).
(E) “Organização Mundial do Comércio” (R.24).

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Nube oferece 324 vagas de estágio em Brasília

29/07/2011 15:14

O Núcleo Brasileiro de Estágios (Nube) está com 3.643 vagas de estágio abertas em todo o país. As oportunidades são destinadas a candidatos do ensino médio, técnico e superior. Em Brasília, os estudantes podem concorrer a uma das 324 oportunidades disponíveis. O valor da bolsa-auxílio pode chegar a R$ 1.400.

Os interessados podem se cadastrar gratuitamente no site do Nube. É necessário informar o código OE correspondente à vaga desejada. Conheça detalhes das oportunidades de acordo com o curso e o código da vaga (OE):

Arquitetura e Urbanismo
Bolsa-auxílio: R$ 807
OE: 85491

Engenharia Civil
Bolsa-auxílio: R$ 1.000
OE: 86865

Administração
Bolsa-auxílio: R$ 8,31/h
OE: 80424

Administração
Bolsa-auxílio: R$ 624
OE: 83585

Administração
Bolsa-auxílio: R$ 1.400
OE: 86679

Engenharia Elétrica
Bolsa-auxílio: R$ 1.000
OE: 86864

Comunicação Social
Bolsa-auxílio: R$ 1.000
OE: 82000

Estágio para Ensino Médio:
Bolsa-auxílio: R$ 400
OE: 21272

sexta-feira, 6 de maio de 2011

A HORA E VEZ DE AUGUSTO MATRAGA

O conto - A hora e a vez de Augusto Matraga - já se encontra na integra no grupo yahoo:
http://br.groups.yahoo.com/group/colegiosetorleste/

terça-feira, 3 de maio de 2011

F r i e d r i c h N i e t z s c h e

C R E P Ú S C U L O D O S Í D O L O S
(ou como filosofar com o martelo)


PREFÁCIO

Conservar a sua serenidade frente a algo sombrio, que requer responsabilidade além de toda medida, não é algo que exige pouca habilidade: e, no entanto, o que seria mais necessário do que a serenidade?

Nada chega efetivamente a vingar, sem que a altivez aí tome parte. Somente um excedente de força é demonstração de força. - Uma transvaloração de todos os valores, este ponto de interrogação tão negro,
tão monstruoso, que chega até mesmo a lançar sombras sobre quem o instaura - um tal destino de tarefa nos obriga a todo instante a correr para o sol, a sacudir de nós mesmos uma seriedade que se tomou pesada, por demais pesada. Qualquer meio para tanto é correto, qualquer "caso", um golpe de sorte.
Sobretudo a guerra. A guerra sempre foi a grande prudência de todos os espíritos que se tornaram por demais ensimesmados, por demais profundos; a força curadora está no próprio ferimento. Uma sentença, cuja origem mantenho oculta frente à curiosidade douta, tem sido há muito meu lema:
increscunt animi, virescit volnere virtus.1
Uma outra convalescença, que sob certas circunstâncias é para mim ainda mais desejável, consiste em auscultar os ídolos... Há mais ídolos do que realidades no mundo: este é o meu "mau olhado" em relação a esse mundo, bem como meu "mau ouvido"... Há que se colocar aqui ao menos uma vez questões com o martelo, e, talvez, escutar como resposta aquele célebre som oco, que fala de vísceras intumescidas - que encanto para aquele que possui orelhas por detrás das orelhas! - para mim, velho psicólogo e caçador de ratos que precisa fazer falar em voz alta exatamente o que gostaria de permanecer em silêncio...
Também este escrito - o título o denuncia - é antes de tudo um repouso, um feixe de luz solar, uma escorregadela para o seio do ócio de um psicólogo. Talvez mesmo uma nova guerra? E novos ídolos são auscultados?.. Este pequeno escrito é uma grande declaração de guerra; e no que concerne à ausculta dos ídolos, é importante ressaltar que os que estão em jogo, os que são aqui tocados com o martelo como com um diapasão, não são os ídolos em voga, mas os eternos; - em última análise, não há e forma alguma ídolos mais antigos, mais convencidos, mais insuflados... Também não há de forma alguma ídolos mais ocos... Isto não impede, que eles sejam aqueles em que mais se acredita; diz-set ambém, sobretudo no caso mais nobre, : que eles não são de modo algum ídolos...
Turim, 30 de setembro de 1888, no dia em que chegou ao fim o primeiro livro da Transvaloração de todos os valores.
Friedrich Nietzsche

SENTENÇAS E SETAS
1.
O ócio é o começo de toda psicologia. Como? A psicologia seria um - vício?

2.
Mesmo o mais corajoso de nós poucas vezes tem coragem para o que propriamente sabe...

3.
Para viver sozinho, é preciso ser um animal ou um deus - diz Aristóteles. Falta ainda a terceira alternativa: é preciso ser os dois ao mesmo tempo - Filósofo... Os espíritos crescem e a virtude floresce, à medida que é ferida. (N.T.)

4.
"Toda verdade é simples (unívoca)". - Isto não é duplamente uma mentira?2 -

5.
De uma vez por todas, não quero saber muitas coisas. - A sabedoria também traz consigo os limites do conhecimento.

6.
É em nossa natureza selvagem que melhor nos restabelecemos de nosso movimento antinatural, de nossa espiritualidade...

7.
Como? O homem é apenas um erro de Deus? Ou Deus apenas um erro do homem? -

8.
Da Escola de Guerra da Vida - o que não me mata torna-me mais forte.

9.
Ajuda-te a ti mesmo: assim todos te ajudarão. Princípio do amor ao próximo.

10.
Que não se venha a cometer nenhuma covardia contra as próprias ações! Que não as abandonemos em seguida! O remorso é indecente.

11.
Um asno pode ser trágico? - Há como perecer sob um peso que não se pode nem carregar, nem lançar fora?... O caso do filósofo.

12.
Quando se possui o "por quê?" da vida, então se suporta quase todo "como?". - O homem não aspira à felicidade; somente o inglês o faz.

13.
O homem criou a mulher. A partir de que porém? De uma costela de seu Deus - de seu "Ideal"...


14.
O quê? Tu procuras? Tu gostarias de te decuplicar, de te centuplicar? Tu procuras adeptos? - Procuras zeros! -

15.
Os homens póstumos - eu, por exemplo - são pior compreendidos do que os homens ligados ao seu próprio tempo, mas melhor ouvidos. Mais exatamente: nunca somos compreendidos e é daí que provém nossa autoridade...

16.
Jogo de palavras praticamente intraduzível: o termo "simples" em alemão significa literalmente o que só possui um setor (ein-fach). Duplo por sua vez diz-se 'zwie-fach': o que possui dois setores. Para acompanhar minimamente o intuito do texto, inserimos o termo "unívoco" entre parênteses. Entre mulheres - "A verdade? Oh, vós não conheceis a verdade! Afinal, a verdade não é um atentado contra todos os nossos pudores?" -

17.
Eis aí um artista como aprecio: modesto em suas necessidades. Só quer efetivamente duas coisas: seu pão e sua arte, - panem et Circen3...

18.
Quem não sabe colocar sua vontade nas coisas ainda insere nelas ao menos um sentido: isto é, crê que uma vontade já esteja nelas (princípio da "fé").

19.
Como? Vós escolhesses a virtude e o peito estufado, mas olhais ao mesmo tempo invejosamente para as vantagens dos inescrupulosos? Com a virtude renuncia-se contudo às "vantagens"... (escrito na porta da casa de um anti-semita.)

20.
A mulher perfeita pratica a literatura como pratica um pecadilho: a título de experiência, de passagem, olhando em torno de si para ver se alguém a nota e a fim de que alguém a note...

21.
Não devemos nos inserir senão em situações nas quais não é permitido ter nenhuma virtude aparente; nas quais, como o funâmbulo sobre a sua corda, ou caímos ou nos mantemos - ou o que vier daí...

22.
"Homens maus não possuem canções". - Como acontece de os russos possuírem canções?

23.
"O Espírito Alemão": há dezoito anos uma contradictio in adjecto.

24.
À medida que buscamos as origens, vamos nos tornando caranguejos. O historiador olha para trás; até que finalmente também acredita para trás.

25.
A satisfação protege até mesmo contra resfriados. Uma mulher que se soubesse bem vestida teria alguma vez se resfriado? Trago à baila o caso em que ela quase não estava vestida.

26.
Desconfio de todos os sistemáticos e me afasto de seus caminhos. A vontade de sistema é uma falta de retidão.

27.
Considera-se a mulher profunda. - Por quê? Porque nela nunca se chega ao fundo. A mulher não é nem mesmo rasa.

28.
Pão e circo (Nota do Pirateador)
Quando a mulher possui virtudes masculinas, não nos resta senão nos evadirmos; e quando ela não possui nenhuma virtude masculina, ela mesma se evade.

29.
"Outrora, quanto a consciência tinha de morder? Que bons dentes ela possuía? E hoje? Quantos lhe faltam?" Pergunta de um dentista.

30.
Raramente cometemos uma única precipitação. Na primeira precipitação faz-se sempre demais. Exatamente por isso comete-se habitualmente ainda uma segunda. - Daí por diante faz-se então muito pouco...

31.
O verme se enconcha quando é chutado. Essa é a sua astúcia. Ele diminui com isso a probabilidade de ser novamente chutado. Na língua da moral: humildade. -

32.
Há um ódio à mentira e à dissimulação que nasce de uma apreensão sensível da honra. Há um ódio exatamente como esse que nasce da covardia, visto que a mentira é proibida por um mandamento divino. Covarde demais para mentir...

33.
Quão poucas coisas são necessárias para a felicidade! O som de uma gaita. - Sem música a vida seria um erro. O alemão imagina Deus cantando canções.

34.
On ne peut penser et écríre qu'assis4 (G. Flaubert). É assim que te pego, Niilista! A pachorra é justamente o pecado contra o Espírito Santo. Só os pensamentos que surgem em movimento têm valor.

35.
Há casos em que somos como cavalos, nós psicólogos, e permanecemos inquietos: vemos nossas próprias sombras oscilando diante de nós para cima e para baixo. O psicólogo precisa abstrair-se de si, a fim de que seja acima de tudo capaz de ver.

36.
Se nós imoralistas fazemos mal à virtude? Tão pouco quanto os anarquistas fazem mal aos príncipes. Somente depois de lhes ter alvejado é que estes se sentam firmemente em seus tronos. Moral: é preciso alvejar a moral.

37.
Tu corres à frente? Tu fazes isto como pastor? Ou como exceção? Um terceiro caso seria o desertor... Primeiro caso de consciência.

38.
Tu és autêntico? Ou apenas um ator? Um representante? Ou o próprio representado? Por fim, talvez tu não passes da imitação de um ator... Segundo caso de consciência.

39.
4 Só se pode pensar e escrever sentado. Fala o desiludido. Eu procurei por grandes homens, mas sempre encontrei apenas os macacos de seu ideal.

40.
Tu és alguém que observa? Ou que coloca as mãos à obra? - Ou que desvia o olhar e se põe de lado?... Terceiro caso de consciência.

41.
Tu queres acompanhar? Ou ir à frente? Ou ir por sua própria conta?... É preciso saber o que se quer e que se quer. Quarto caso de consciência.

42.
Estes eram degraus para mim. Servi-me deles para subir e precisei então passar por cima deles. Mas eles pensavam que queria aquietar-me sobre eles...

43.
O que importa que eu tenha razão?!?! Eu tenho por demais razão. E quem hoje ri melhor também ri por último.

44.
A fórmula de minha felicidade: um sim, um não, uma linha reta, uma meta...